Juros da dívida portuguesa acentuam subida

Depois da queda de ontem, a dívida pública portuguesa volta hoje a subir e está já a acentuar esta tendência. Os investidores continuam a revelar-se receosos em relação à aprovação e implementação do plano de resgate à Grécia, temendo os efeitos de contágio desta crise a Portugal.

No passado domingo, foi aprovado pela Zona Euro e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) um empréstimo de três anos, no valor de 110 mil milhões de euros, para salvar a Grécia de um cenário de incumprimento que parecia cada vez mais próximo.

Este desenvolvimento acalmou ontem o mercado da dívida pública grega e portuguesa. Hoje, os investidores voltam a exigir taxas de juro mais elevadas para adquirirem obrigações portuguesas, numa altura em que se espera que os líderes europeus aprovem o pacote de ajudas, depois dos ministros das Finanças o terem feito, ao mesmo tempo que se aguarda que a Grécia aprove as medidas de contenção para que a ajuda financeira seja desbloqueada.

As rendibilidades associadas à dívida pública portuguesa a dois anos estão a subir 37 pontos base para os 3,752%. Já a “yield” a dez anos avança 18 pontos base para os 5,280%. Apenas o juro das obrigações portuguesas a cinco anos segue estável nos 4,649%.

As “yields” gregas também estão a subir. A dez anos, as rendibilidades associadas à dívida grega sobem dois pontos base para os 8,495%, a cinco anos, os juros avançam 36 pontos base para os 10,691%. Já os juros da dívida grega a dois anos sobem 127 pontos base para os 11,466%.

As “yields” das obrigações alemãs seguem em queda em todos os prazos. A taxa de juro exigida para a compra de obrigações alemãs a dois anos cai seis pontos base para os 0,749%. A cinco anos, a “yield” cede também sete pontos base para os 1,945%. A dez anos, o juro desvaloriza seis pontos base para os 2,997%.

Deste modo, o "spread" da dívida portuguesa a 10 anos volta a superar os 220 pontos base face à “bund” alemã.

Apesar do acordo para impedir a Grécia de entrar em incumprimento, os investidores continuam a revelar alguns receios em relação à implementação do mesmo e aos riscos de contágio a outros países periféricos da Zona Euro, como é o caso de Portugal.