Portugal corre o risco de "caminhar para o abismo financeiro"

Miguel Frasquilho, do PSD, defende que Portugal pode caminhar para "o abismo financeiro" se o Governo não controlar a despesa pública.

Durante um debate no Parlamento sobre a execução orçamental, promovido pelo PSD, Miguel Frasquilho referiu que a subida da despesa pública este ano tem sido superior ao previsto no Orçamento do Estado - "sobe menos em agosto, mas mesmo assim sobe, e sobe muito" - e que "a despesa primária cresce a um ritmo que é praticamente o dobro do orçamentado".

Miguel Frasquilho disse que, em contraste, em Espanha, na Irlanda e na Grécia o défice e a despesa pública diminuíram.

O ex-secretário de Estado do Tesouro apontou depois o facto de os juros da dívida pública terem atingido "máximos históricos" de "6%".

"A manter esta tendência, não só o Governo não cumprirá o compromisso que assumiu em Maio último de reduzir o défice de 2010 em partes iguais por aumento da receita e diminuição da despesa, como, e isso é muitíssimo mais grave, o país caminha direito ao abismo financeiro que, a acontecer, se transformaria numa tragédia económica e social", acrescentou.

"Lá fora estão todos a olhar para nós, estão todos a perceber que o Governo não está a fazer o trabalho com que se tinha comprometido, muito pelo contrário", disse ainda Frasquilho, defendendo que "é fundamental que a trajectória que tem vindo a se prosseguida seja rapidamente corrigida".

O deputado social-democrata manifestou a esperança de que "os dados de Setembro possam confirmar a correcção dessa trajectória".

Reiterando um apelo feito pelo presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, no domingo, Miguel Frasquilho pediu ao Governo que antes de apresentar o Orçamento do Estado para 2011 divulgue os números da execução orçamental até Setembro.

"Não me venha dizer que isso não é possível, porque ainda hoje é 9 de Setembro e já sabemos os resultados da despesa de Agosto", apontou, dirigindo-se ao secretário de Estado do Orçamento, que representou o Governo neste debate.