Análise do mercado Forex no mês de maio e previsão para junho de 2009

Resumo de maio
O mês passado foi marcado pela queda do dólar e a subida brusca das moedas com maiores taxas de juros, bem como, das moedas fortemente dependentes dos preços de matérias-primas. Os investidores empreenderam uma corrida por ativos baratos na esperança de que a economia mundial se estabilizasse e o crescimento econômico que se segue, mais cedo ou mais tarde, resultasse no aumento dos ativos das matérias-primas. Com isso, o dólar americano se mostrou menos atraente do que o euro ou o dólar australiano, por exemplo. Já no início de maio, os funcionários públicos americanos deram um sinal positivo. Assim, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, fez a previsão de que a economia dos Estados Unidos pode começar a se recuperar ainda neste ano. Além disso, ele observou que muitos bancos não precisam de subsídios estatais. Essa afirmação reduziu significativamente o nível de ansiedade, permitindo que os investidores saíssem do dólar como moeda de refúgio. Muito melhores do que o previsto foram os dados sobre o mercado de trabalho americano: o número de pessoas empregadas no setor não-agrícola diminuiu -491 mil contra o previsto de -645 mil.
Números positivos também foram apresentados pelo comércio exterior dos Estados Unidos: um déficit de US$ 27,6 bilhões, em vez de US$ 29,2 bilhões. Vendo as notícias positivas internas na Europa, os investidores começaram a comprar cada vez mais ativos europeus. Essa reação, por exemplo, foi seguida de uma mudança na produção industrial britânica, que caiu apenas 0,6%, em vez de 0,9%, como previsto.
Porém nem tudo foi tão positivo no que se refere às noticias. O relatório publicado pelo Banco da Inglaterra sobre a inflação mostrou que a normalização dos empréstimos bancários provavelmente exige mais tempo. Por sua vez, o presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King,salientou que “existe a probabilidade real de que a economia continue a cair até 2011”. Os indicadores americanos não foram muito bons. A lenha na fogueira veio dos dados sobre o comércio varejista, onde os volumes do mês caíram a 0,4%, embora esperassem que este valor fosse de 0%.
No entanto, esta foi somente uma nuvem tenebrosa no cenário positivo que era sentido por todos os participantes do mercado financeiro. E logo que surgiram essas notícias positivas, o dólar novamente foi para baixo. Tais incentivos favoreceram alguns índices, por exemplo, o índice do Instituto ZEW, que subiu para 31,2 em vez do valor previsto de 20. Devemos recordar aqui a declaração da agência de classificação de risco Standard & Poor's que reduziu a avaliação das perspectivas para a economia do Reino Unido de estável para negativa. Entre os investidores, essas avaliações contribuíram para uma séria mudança nas posições de longo prazo. Nesse caso, provocou a venda caótica da moeda britânica. Ainda mais interessante é que, em seguida, surgiram no mercado os rumores de uma possível retirada da nota AAA dada pela Standard and Poor’s aos EUA. Devido à maior participação de dólares em circulação no mundo, a possibilidade de tal evento resultou em uma venda maciça de ativos e da moeda norte-americana. Contudo, continuou elevado o interesse para com os ativos que não fossem em dólares. Outra conseqüência do crescente otimismo sobre a economia global foi a forte recuperação das cotações do petróleo, sendo que o dólar e o petróleo têm uma alta correlação inversa.
Em geral, assinalamos aqui que nem a diminuição das taxas de juros para 1% em maio, nem a declaração do BCE sobre as compras de títulos garantidos, não provocaram séria pressão sobre o euro, enquanto que ações semelhantes do Federal Reserve empurraram o dólar para baixo. Isso só acentuou as tendências, que, em primeiro lugar, determinam o equilíbrio de poder no mercado cambial. Obviamente, o mundo financeiro aspira principalmente para que os Estados Unidos possam voltar a ser a locomotiva que conduz a economia global. Portanto, as medidas para aumentar a liquidez na Europa foram consideradas como um adicional positivo para a economia européia.

Previsão para junho

Assim, no mundo financeiro consideram-se relativamente arriscados os investimentos mais adequados diante das circunstâncias atuais. O interesse dos investidores estrangeiros não é voltado para o dólar e os títulos de valores americanos. O Federal Reserve prosseguiu a sua política de bombeamento de dinheiro para a economia. O excesso de dinheiro ao mesmo tempo estimula o crescimento econômico e pode provocar o aumento acentuado da inflação no país. O salto dos preços irá aumentar o custo de ativos comerciais, de ativos não-monetários, enquanto que o valor do dinheiro diminui. Neste contexto falamos da redução do valor do dólar.
Além disso, através do financiamento das despesas públicas com a venda de títulos, Washington aumenta o buraco no orçamento. Não é surpreendente que os funcionários americanos estão dando grande atenção à política externa. Em particular, eles estão tentando persuadir a China, que é o maior comprador dos títulos da divida americana, quanto à fiabilidade dos mesmos e da economia americana em geral. O presidente Barack Obama disse que o seu governo pretende reduzir o déficit orçamentário para 3% do PIB. No entanto, ninguém se arrisca adivinhar quando isto pode ser feito. O enorme gasto público também é negativo para o dólar. E,finalmente, os investidores estão preocupados com a liberdade com que o Estado está entrando no capital privado. As intenções da Casa Branca são as melhores em suas tentativas de proteger as empresas e as grandes corporações contra a falência. No entanto, o capital privado não gosta da excessiva interferência governamental nos negócios. Portanto, os ativos americanos são menos interessantes para os investidores. Assim, a partir de um ponto vista fundamental, a tendência do “urso” no dólar poderá continuar adiante. Podemos adicionar a estes fatores a estabilização da situação econômica na China. Se a economia chinesa começar a aumentar o ritmo do seu crescimento, então isso contribuirá para o aumento dos preços do petróleo e ouro. E isso também é negativo para o dólar. No entanto, pode haver uma reação inversa, quando o aparecimento de sinais de abrandamento econômico contribuir para a redução do preço do petróleo. Temos como exemplo os acontecimentos de 12 e 13 de maio, quando a OPEP anunciou o aumento da produção do petróleo e, em seguida, surgiram dados fracos sobre as vendas a varejo nos Estados Unidos. Como resultado, novamente suscitaram dúvidas quanto à sustentabilidade do crescimento, o que levou à diminuição do petróleo e ao aumento do dólar.

Tudo é assim tão pessimista para a moeda americana?

Chamemos a atenção para o fato de que, no início do mês, ocorrem mais reuniões do BCE (Banco Central Europeu) e do Banco da Inglaterra. Já vimos que o Banco da Inglaterra fez advertências sobre um possível crescimento mais lento da economia britânica. A reação de Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu,também foi pessimista. E, neste caso, o par euro/dólar é capaz de entrar numa fase de estabilização. Com a reversão dos valores máximos, em seguida, o corredor esperado seria de 1,3950-1,4320. Além disso, a falência de uma das maiores montadoras mundiais, a General Motors, pode desempenhar seu papel na aceitação de riscos. Não se exclui que ela irá afetar uma série de companhias financeiras. Ela contribuirá para o aumento visível do desemprego. Como lembramos, o crescimento da tensão financeira é precisamente o fator que retorna ao dólar a função de moeda de refúgio, provocando o crescimento de suas cotações.Em geral, na ausência do negativismo extraordinário, nós preferimos as vendas do dólar nos momentos de subida das suas cotações.